Quanto cobrar em extensão de cílios: a conta que quase ninguém faz
Quase toda lash designer forma preço olhando para o lado: vê quanto a colega cobra e coloca dez reais a menos. O problema é que a colega também fez isso — e no fim a cidade inteira está trabalhando por um valor que ninguém calculou.
Comece pelo que sai do seu bolso
Antes de falar em preço, liste o que desaparece a cada aplicação:
- Fio, cola, primer, selante, removedor e pré-tratamento
- Descartáveis: fita, pad, micro brush, algodão, escovinha, papel do lençol
- Energia, ar-condicionado, internet e água da sala
- A parte do aluguel (ou da sua casa) que aquela hora ocupa
- Taxa da maquininha e imposto, se você já é MEI
Some tudo e divida pelo número de atendimentos do mês. Esse é o custo por cliente — e é o piso absoluto: abaixo dele você paga para trabalhar.
Agora coloque a sua hora
Aqui mora o erro mais caro da profissão. Um volume russo bem-feito ocupa 2h30 a 3h30 de cadeira — e nesse tempo você não atende mais ninguém. Se você quer tirar um valor por mês, divida esse valor pelas horas que consegue realmente aplicar (não pelas horas do dia: ninguém aplica oito horas seguidas todo dia).
O resultado é o valor da sua hora. Multiplicado pelo tempo do procedimento, ele é a maior fatia do preço — bem maior que o fio.
A regra que resolve: preço = custo do atendimento + (sua hora × tempo) + margem. Se você olhar só para o custo do material, vai achar que R$ 90 está ótimo — e vai descobrir no fim do mês que não sobrou nada.
Por que a mais barata da cidade vive cansada
Preço baixo demais tem três efeitos, todos ruins: atrai a cliente que só quer preço (e some quando aparecer alguém dez reais mais barata), obriga você a atender mais gente para pagar as contas e derruba a qualidade porque falta tempo para fazer bem-feito.
Quem sobe o preço perde algumas clientes — e ganha tempo, qualidade e a cliente que fica.
Como subir de preço sem perder a agenda
- Avise antes, com data: "a partir do dia 1º, a manutenção passa a ser R$ X".
- Suba pouco e mais vezes em vez de dar um salto uma vez por ano.
- Entregue algo novo junto: um mapping melhor, um pós-atendimento, um brinde pequeno.
- Nunca peça desculpa pelo preço. Explique o que está dentro dele.
Os três números que você precisa saber de cor
- Ticket médio: quanto vale, em média, cada cliente que senta na sua cadeira
- Atendimentos no mês: quantos você fez de verdade — não quantos você acha
- Quanto sobrou: o que ficou depois de pagar tudo
Se você não tem esses três números, qualquer conversa sobre preço é chute. Um sistema que registra cada atendimento entrega os três sem você abrir planilha — e é aí que a conversa sobre aumentar preço deixa de ser medo e vira decisão.